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domingo, 29 de maio de 2022

Curiosidades históricas: Do “Traugeliebter” Geisler para a “Traugeliebte” Rusch

Por Genemir Raduenz, Edson Klemann, Johan Ditmar Strelow e Cláudio Werling

A saudade no início do século XX, se atenuava com cartas. Um registro que demonstra isso é a carta escrita pelo pomerodense Erwin Geisler para sua amada (Treugeliebte) Hedwig Rusch no ano de 1925 no Rio de Janeiro, por ocasião do seu serviço militar. A versão original da carta ainda é guardada pelos familiares com muito carinho (elaboramos uma versão digitada em alemão e uma transcrição para o português, melhorando a compreensão).

O soldado pomerodense Erwin Geisler. Acervo: Léa Denise Lohse Alvarenga

Erwin nasceu no Distrito Rio do Testo (Pomerode) em 1903, filho de Fernando Geisler e Luiza Finner Geisler. Depois de permanecer no serviço militar no Rio de Janeiro, Erwin casou-se com Hedwig em 10 de Novembro de 1926. Geisler veio a falecer prematuramente em 1938 em virtude de complicações da então denominada “Affenfieber” (febre amarela).

O casal teve três filhos: Ella, Selly e Arno Geisler (o filho Arno no final da década de 40 seguiu os passos do pai e serviu no exército em Blumenau). Da mesma forma como Erwin Geisler, muitos outros jovens de Pomerode serviram na Vila Militar da então capital do Brasil.

A carta original (Língua alemã)
Rio, den 15. November 1925
Treugeliebte Hedwig!
Ich ergreife die Feder mit Freuden an Dich zu schreiben, wie es mir noch immer geht, denn mir geht es sehr gut, ich bin gesund und munter und hoffe dasselbe auch von Dir. Liebe Hedwig! Ich schreibe heute schon den dritten Brief, aber erhalten hab ich noch keinen Brief von Dir, und deshalb will ich Dir mal fragen, ob Du noch keinen Brief erhalten hast, oder ob Du nichts mehr von mir wissen willst, dass Du mich nicht mehr schreiben willst, es ist ja vielleicht möglich, dass Du einen anderen liebst, aber sei so gut und schreibe mir wenigstens wie sich es verhält, denn meine anderen Kameraden haben schon alle Briefe erhalten, bloß ich nicht. Liebe Hedwig! Ich will Dir aber mal schreiben was man hier alles zu sehen kriegt, denn die Stadt ist hier tausend mal größer als Blumenau, denn wenn man mal spazieren gehen tut, denn muß man nur aufpassen, dass man sich nicht verlaufen tut, aber allerhand Sachen was man noch nie gesehen hat, das kann man hier zu sehen kriegen, aber Geld darf auch nicht fehlen, und einmal war ich in dem großen Tiergarten, da kann man alle lebendige Tiere der Welt seh´n, was es auf Erden gibt. Eine Riesenschlange war da drin, die schluckt einen Menschen ganz gemütlich runter und eine Schlächterei ist hier, da werden jeden Tag 7 bis 8 hundert Ochsen geschlachtet und zu Festtagen 1200, aber das geht alles elektrisch, denn auf einer Ecke werden sie rein getrieben und in der anderen Ecke raus und sind gleich klein gemacht. Für heute will ich schließen, aber sei so gut und beantworte mir diesen Brief.
Es Grüßt und küsst Dich Dein Treugeliebter, Erwin.
Meine Adresse ist: Ao Soldado Erwin Geisler. 4. Cia Carros de Combate. Villa Militar. Rio de Janeiro.

A carta escrita em 1925. Acervo: Léa Denise Lohse Alvarenga

A transcrição comentada da carta para a língua portuguesa
A carta (Liebesbrief), Erwin abre com muita satisfação em informar a sua querida Hedwig que ele se encontra muito bem e que espera o mesmo dela. Ele muda de tema com uma pausa, iniciando com “Liebe Hedwig”! (Querida Hedwig).

A partir deste ponto, ele relata que essa já é a sua terceira carta e sem retorno por parte da Hedwig. O que lhe deixa muito preocupado com a situação e com o namoro dos dois. Neste trecho em diante ele questiona a sua Hedwig, se ela talvez não tenha recebido nenhuma das suas correspondências, ou, se ela talvez não o ame mais e não queira mais saber dele por ter encontrado outra pessoa. Ele também gostaria muito de saber como estão as coisas entre eles e pede que ela (Hedwig) o escreva, pois todos os seus outros camaradas de caserna já haviam recebido cartas, somente ele não.

Na segunda parte da carta, Erwin escreve para Hedwig sobre o Rio de Janeiro daqueles tempos. Destaca que tudo é grande e mil vezes maior do que em Blumenau (ele escreve Blumenau, pois na época Rio do Testo ainda era distrito). Relata que quando se vai passear na cidade é preciso ter cuidado para não se perder, e que, se pode ver muitas coisas no Rio que não se encontra em casa.

Agora, dinheiro não pode faltar. Ele também foi visitar o Zoológico do Rio e destaca que se pode encontrar animais de todo o mundo. Inclusive uma cobra gigante que não teria dificuldades para engolir uma pessoa por completo. Ele também menciona um abatedouro que por dia abate de 700 a 800 cabeças de gado e que em dias de festa por volta de 1.200 cabeças, e que, tudo já é elétrico, onde o gado entrava de um lado e do outro já sai em pedaços.

Assim ele finaliza a carta para a sua “Treugeliebte” Hedwig, pedindo que ela seja tão bondosa e que responda a esta carta.
Beijos e abraços de seu “Treugeliebter”, Erwin.

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