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segunda-feira, 27 de junho de 2022

Uma vida de superação e persistência

Rozani de Fátima Paczkovski sempre teve o sonho de ser mãe e conta sobre os desafios dessa caminhada

Que a maternidade tem seus empecilhos, obstáculos e contratempos todos sabemos, mas Rozani de Fátima Paczkovski não imaginava o quão difícil seria formar sua família, um sonho que tinha desde pequena. Agora, ao olhar para trás e revisitar todos os desafios que precisou superar tem uma única certeza: não mudaria nada, pois seus filhos são sua vida.

Tudo começou quando casou ainda jovem, com 16 anos. Não demorou muito para que engravidasse de Mayana Regina. Com seis meses de gestação, Rozani teve sua primeira surpresa, a chegada prematura da filha. Ela ficou na incubadora por 40 dias em um hospital localizado na cidade de Cascavel, já que moravam em Guaraniaçu, no Paraná. “Eu visitava ela todos os dias e levava meu leite para alimentá-la”, conta a mãe. Infelizmente, com cinco meses de vida, Mayana faleceu.

Antes do ocorrido, o médico disse para Rozani que seu útero era muito fraco e não teria a capacidade de aguentar a gestação até o fim. Por isso, quando perdeu a filha, além de toda a tristeza que sentia, surgiu o desespero de pensar que não conseguiria ter filhos. “Cheguei a acreditar que não engravidaria mais”, relata.

Mesmo assim, dois anos depois, ela foi surpreendida com a notícia de que estava grávida de novo, dessa vez de Allyson Júnior. No entanto, um mês antes do nascimento, Rozani foi parar no hospital com um ataque isquêmico transitório (AIT), também conhecido como mini AVC. “Graças a Deus foi transitório e não atingiu o bebê, que veio com saúde. Ele nasceu no dia 18 de maio de 2001.”

Amor: Rozani e o filho mais velho, Allyson Júnior. FOTO: Arquivo pessoal

Em uma tentativa de melhorar de vida, ela, o marido e o filho se mudaram para Pomerode assim que Allyson completou um ano. Porém, quando ele estava com três anos, mais um desafio abalou Rozani. No dia 28 de maio de 2004, próximo ao horário do almoço, a mãe estava no trabalho e o marido e o filho estavam dormindo, já que o companheiro trabalhava no terceiro turno.

De forma repentina, foram surpreendidos ao acordarem e perceberem que a casa estava consumida pelo fogo. “Ele quebrou a janela para saírem, salvou o pequeno sem ferimentos, mas acabou se cortando por causa dos vidros e perdeu muito sangue. Cuidar dos dois e trabalhar foi bem difícil, perdemos tudo e minha irmã nos abrigou até conseguirmos nos recompor”, relembra. Depois disso, em 2008, o casal se separou. Três anos depois, Rozani começou um novo relacionamento e o desejo de ter uma grande família ainda não tinha sido realizado. Por isso, no dia 31 de maio de 2011, nasceu Vitor Kauã, o primeiro filho com o atual companheiro.

Já no segundo semestre de 2012, ela começou a sentir muitas cólicas. Em outubro, decidiu fazer uma ultrassonografia para ver o que poderia ser. Antes mesmo de realizar o exame, fez um teste de gravidez e confirmou a desconfiança: estava grávida de novo.

No fim do mesmo mês, acordou com muita dor, sem conseguir sair da cama. Foi levada pelo marido para o hospital e, ao chegar, descobriu que a pressão estava em sete por quatro e os batimentos a 160. “Quando fizeram a ultrassom, descobriram que era uma gravidez ectópica, eu estava com quase quatro meses, a trompa não suportou o tamanho e rompeu. Estava com hemorragia interna. Graças ao médico e toda a equipe, conseguiram me salvar.

Tive que tirar a trompa, passei por todas as complicações e fui para casa me recuperar.”
Mesmo quando achou que os desafios tinham acabado, seu filho Vitor sofreu um acidente e caiu do segundo piso pouco mais de uma semana depois dela retornar do hospital. “Ele ficou 10 dias fazendo cirurgias e passando pela recuperação. Com muita fé em Deus, sempre fazendo minhas orações e com o apoio de minha família, conseguimos vencer”, relata.

O que ela não esperava era que, um ano depois da retirada da trompa, receberia um novo membro para trazer ainda mais felicidade à família. Carlos Eduardo, apelidado carinhosamente de Cadu, nasceu no dia 28 de maio de 2014. Um ano e três meses depois, Rozani voltou a se sentir mal e descobriu estar grávida novamente.

“Minha mãe estava na minha casa e fiz o teste com medo, porque parecia que alguma coisa tinha me dito para fazer, e deu positivo. Eu chorei muito, foi uma mistura de alegria com medo de não conseguir dar conta de tudo. E foi aí que a Vitória Karoline nasceu, os três bem perto.” A cesárea estava marcada para dia 28 de maio, mas a filha se adiantou e veio no dia 20, aniversário da mãe. “Isso foi obra de Deus”, salienta.

Diante disso, surgiu ainda mais dificuldades para lidar com os quatro filhos. Mesmo assim, sempre rezou e colocou sua vida nas mãos de Deus, pedindo para que seu anjo da guarda lhe ajudasse a vencer qualquer obstáculo. Em 2021, sua sogra teve um AVC e o casal precisou se dedicar a cuidar dela também. “Nesse meio tempo, ainda cuidava dos três filhos e do relacionamento.

Passava mal às vezes, mas achava que essa dor era pelo cansaço, só que não era. Estava com 11 semanas de gestação gemelar. Como fazia muito esforço e não sabia da gestação, tive descolamento de placenta e os bebês não resistiram”, explica.

Mesmo que tenha passado por diversos desafios, perdas e superações, Rozani conta que mãe é isso, é se doar por inteiro pela vida dos filhos, esquecer de si para cuidar deles, sem dia e nem horário. Para todas as mães, ela deixa um recado especial: “Nunca desista diante das dificuldades. Com fé, amor e persistência, tudo se vence. Mãe não é de ferro, mas suporta tudo por um filho. Mãe não tem pilha, mas funciona sempre. Mãe não tem sete vidas, mas daria a única que tem por um filho.”

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