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sábado, 04 de dezembro de 2021

Os super-heróis existem, e eu posso provar!

Eram quase duas horas da madrugada de um fim de agosto de 2021 quando a simpática enfermeira entrou no quarto do hospital. Ela estava acompanhando os sinais vitais da minha mãe, que tinha passado por uma cirurgia de emergência no dia anterior. Como a oxigenação havia baixado desde a última medição, sugeriu, com um sorriso no rosto e uma voz amigável, que minha mãe precisaria de um novo “colega de quarto”.


Então, ela saiu da sala e retornou com um cilindro de oxigênio. Antes de colocar, me explicou o que era e como funcionaria. Depois, olhou novamente para minha mãe e, brincando, falou que ela não deveria se preocupar. Pelo contrário, aquela seria uma ótima oportunidade para batizar o “amigo elefante” com um nome bem legal para que ele não ficasse chateado.
Lembro do sorriso que iluminou o rosto de minha mãe e a leveza com que a situação foi tratada. Era a minha primeira vez, e da Dona Inez também, em um pós-cirúrgico. Poderia ser mais difícil e até assustador não fosse o cuidado com que todos aqueles profissionais tinham nos tratado até o momento, desde a cozinheira até a equipe médica.


Estávamos só nós três no quarto e não me contive, precisei agradecer pelo carinho e cuidado direcionados a essa senhora de 75 anos que significa o mundo inteirinho para mim. Com toda emoção envolvida na situação, do susto, passando pela urgência e terminando com a preocupação pós-procedimento, acabei não guardando o nome daquela enfermeira (tenho certeza que isso já aconteceu com você também).
Mas o que não consigo apagar da memória é a forma com que ela se conectou ao meu olhar, e também ao coração, quando disse: “Imagina, você não precisa nos agradecer! Estaremos sempre aqui para quando precisarem”.


Aquela resposta soou tão profunda que tive vontade de conversar mais um pouquinho com a simpática mulher (realmente deveria ter guardado o seu nome), que tinha escolhido como profissão a nobre tarefa de cuidar do outro. Àquela altura, o oxigênio já estava devidamente instalado e minha mãe respirava melhor.


Durante a nossa breve interação, antes que fosse chamada para atender outro paciente, ela me contou sobre a rotina acelerada, dela e dos colegas, os agravamentos causados pela pandemia, medos e desafios diários. O fato de terem que lidar com a vida e a morte diariamente!


Antes que saísse do quarto, ainda me segredou: “Ano passado (primeiro ano da pandemia) recebemos muitas homenagens, mas agora nosso trabalho está quase esquecido novamente!”


Aquele foi um desabafo que levou a uma grande reflexão. Verdadeiramente, não pensamos no fundamental trabalho de cada um dos profissionais da saúde, nas horas de trabalho ininterruptas e as condições em que muitos exercem seu ofício. Quando o medo do desconhecido bateu a nossa porta, foi neles que nos apoiamos, deles retiramos a força, para eles batemos palmas. E então, a cada dia um novo passo em direção à vitória contra o vírus foi sendo dado e, em parte, esquecemos dos soldados da linha de frente.


Os aplausos cessaram, os presentes se tornaram escassos e as palavras de ternura esmaeceram, mas eles continuam lá. Estavam antes da pandemia, continuam durante, permanecerão depois.


Talvez não nos demos mais conta, porque na correria queremos que nossa saúde se reestabeleça logo, assim como a rotina. Independentemente de um cenário de Covid-19 ou não. Na maioria das vezes, não paramos para render os devidos méritos!
Depois daquela experiência, passei a acreditar que existem super-heróis da vida real! Sem capa e sem superpoderes, sabemos que estarão lá para quando precisarmos… Seja para compartilhar a chegada de uma nova vida ou tornar menos pesado um momento de dor. É a missão, quase divina, de cuidar de cada um de nós, muito além de prescrições médicas ou tratamentos.


Minha mãe ganhou alta três dias depois, está em casa e se recuperando a cada dia. Afinal, depois do susto, boas notícias é o que desejamos sempre… A foto que compartilho foi tirada no dia seguinte à conversa que tive com aquela enfermeira. Era um novo plantão e uma nova equipe dedicada, mas o carinho da noite foi repetido durante o dia!


O coração desenhado pela Ana, técnica de enfermagem, define muito bem o amor com que os profissionais da saúde trabalham todos os dias! Quando precisar de um deles, retribua da mesma forma. Afinal, eles estarão lá por você, por mim e para cada pessoa que amamos, todos os dias da semana, todas as horas do dia. NÃO ESQUEÇA DISSO!

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